segunda-feira, 18 de agosto de 2008

TELLS III - RESUMO CARO

[Off topic: a partir de agora, todas as informações sobre a Liga Goianiense estarão NESTE SITE.]


No post de hoje, um resumo de parte do livro de Mike Caro, "Poker tells". Este texto será completado semana que vem, provavelmente terminando o assunto "tells".



TELLS (III) - RESUMO DO LIVRO DE MIKE CARO (parte 1)


O "Poker Tells" de Mike Caro é um dos poucos livros que você pode ler apenas o resumo sem perder muita coisa (sem perder muita, porque algo sempre se perde; então, tendo oportunidade, leia o original, que é de simples leitura). Seu livro pode ser condensado no que ele chama de "leis", às quais somamos alguns outros comentários significativos do próprio autor, e pronto. O complicado deste livro não é ler ou decorar as tells: é conseguir realmente observá-las em seus adversários. Isto exige dedicação, esforço mental. Mas vamos lá...

Caro começa dizendo que existe uma infinidade de sinais, e que seriam impossível catalogar todos. Contudo, quando vir um novo sinal, basta armazená-lo, após descobrir qual era a intenção do jogador.

Por regra, tenha a seguinte atitude: o momento em que o jogador recebe suas cartas e o momento em que cartas são abertas na mesa são cruciais, pois aí são emitidas algumas reações espontâneas. Passado este breve instante, o jogador se recompõe. Logo, nestes dois momentos não olhe para suas cartas nem para as cartas abertas na mesa: olhe para seus adversários! As suas cartas nem as da mesa mudarão mesmo, deixe para preocupar-se com elas quando for sua vez de se manifestar e já tiver colhido todas as informações possíveis sobre o jogo de seus adversários.

(Caro também analisa algumas tells específicas de jogos como o Seven Card, o Draw etc., mas são poucas, e não falarei delas aqui, apenas das que servem ao Texas Hold`em.)


A "Grande lei das tells" é: os jogadores estão atuando (simulando) ou não. Se eles estão, então descubra o que eles esperam que você faça e os desaponte.

O princípio que regula a emissão e recepção das tells é o seguinte: não existe decisões padronizadas sobre o que fazer em determinada situação. Portanto, a decisão de como agir será baseada numa série de acontecimentos recentes. Um jogador que atua tenta ser um fator que influencie nesta sua decisão. De modo inverso, a sua atuação também deve influenciar a decisão dos seus oponentes na direção que você deseje.


I) Tells emitidas fora do combate:

* O comportamento geral de um jogador demonstra sua maneira geral de jogar. Por exemplo: bem vestido, arruma bem suas fichas etc.: tight; blefe em cima dele, corra de suas apostas.

* O jeito de comprar fichas: se esbanja dinheiro, evite blefar em cima dele, aposte alto quando tiver um bom jogo.


II) Compartilhando uma mão:

* Se alguém se aproxima e um jogador lhe mostra suas cartas, olhe para a pessoa que viu as cartas - ela irá se comportar forçadamente de maneira oposta ao que viu. Se viu um jogo alto, irá fazer uma cara que tente demonstrar o contrário, e vice-versa.

* Se um jogador mostra a outra pessoa suas cartas logo no início da mão, provavelmente as cartas são boas. Ele não quer mostrar que joga mal, especialmente se compartilha a mão com namorada(o) etc.



III) Checando a mão novamente:

* Se alguém faz uma aposta e volta a olhar suas cartas por um bom tempo, provavelmente sejam fracas e ele esteja fingindo que "estuda o jogo".

* Em flops "naipados", se alguém checa novamente suas cartas (de forma genuína, isto é, rápida) é porque não possui outras duas do mesmo naipe, e quer conferir se possui ao menos uma.

* Quando o flop contém apenas rags (cartas baixas) e um jogador confere suas próprias cartas, é provável que possua uma alta e uma baixa. Certamente ele não fez trinca.

* Se o flop sugere possibilidade de seqüência, jogadores que revêem suas cartas possivelmente têm alguma daquele nível.


IV) Examinando as cartas da mesa:

* Um jogador que demonstre um súbito interesse pelo jogo (ex.: sentar-se corretamente, parar de conversar) possivelmente gostou das suas cartas ou das que foram abertas.

* O jogador vê o flop, olha para as próprias fichas e então olha para longe: provavelmente fez um jogo muito bom e está fingindo desinteresse.

* O jogador vê o flop e continua "estudando-o" como se tivesse sido bom, especialmente quando sabe que alguém está olhando para ele: o flop foi ruim para ele. Quando um jogador precisa fazer isto? Se deu um raise com AK e o flop veio JT9, por exemplo. Uma dama, no turn, seria ótima para ele, mas ela ainda não veio, e tudo o que ele tem até agora é um A de kicker, enquanto alguém pode segurar na mão AJ, TT etc. e já estar com um jogo bom.


VI) Mexendo nas fichas:

* Se um jogador olha para suas (dele) fichas ou nelas mexe sem perceber que você vê, ele deve estar pensando em apostar, por ter uma mão boa.

* Já se ele mexe (ou olha para elas) quando sabe que você está vendo (ou mexe exageradamente, exatamente para que você veja) é provável que esteja blefando. Esta é, das tells inconscientemente emitidas, a que fornece um maior retorno financeiro, pois muitas vezes você evitará um fold em um pot grande. Caro nos lembra que, de uma maneira geral, é melhor (principalmente em limit games) errar pagando e perder do que dar fold em mãos vencedoras.


III) Nervosismo:

* Geralmente fica-se mais nervoso no momento de apostar uma mão muito forte do que no momento de blefar. Inclusive pode haver um leve tremor. Após a aposta, o da mão forte fica ansioso aguardando um call, e pode tamborilar na mesa. O da mão fraca fica "congelado", evitando o seu olhar, movendo-se pouco, falando pouco (ele não quer atrair atenção).

* O sinal mais comum de blefe é olhar para o oponente rapidamente, emitir um breve sorriso (falso) e desviar o olhar. Geralmente o blefador esconde a boca com a mão. Ele evitará te provocar.

* Cartas fortes geralmente são seguradas com firmeza. Além disso, mostra-se falante, às vezes cordial (pois quer te agradar, para você dar um call) ou às vezes provocativo (quer te desagradar, também para que você "vingue" com um call).



(Fernando César)
(E-mail) (Orkut) MSN: fernandopsiquiatria@bol.com.br

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