Texto grande, dividi então em duas partes, a segunda coloco no próximo domingo.
ADMINISTRANDO SEU STACKE DURANTE UMA SESSÃO DE CASH (parte I)
Uma sessão de pôquer é composta de várias mãos, e cada mão é composta de alguns momentos. Temos, então, duas coisas distintas: o conjunto de mãos, formando uma sessão; e o conjunto de momentos que formam uma mão. Vamos analisar, aqui, a sessão como um todo e, em um outro artigo, o jogo mão a mão.
Qual o objetivo de um jogador, durante uma sessão? De uma forma simplista, responderíamos: "ganhar o máximo possível de dinheiro". Mas, na verdade, existem outros graus de objetivos:
1o) ganhar o máximo possível de dinheiro;
2o) ganhar dinheiro;
3o) não perder dinheiro;
4o) não perder muito dinheiro.
Claro que a hipótese "perder muito dinheiro" não entra como objetivo de ninguém.
E, outra coisa: a ordem de prioridades é o inverso da que colocamos acima, porque, para ganhar, é preciso primeiro não perder; para ganhar muito, primeiro é necessário ganhar um pouco etc.
Ou seja, eu diria que os objetivos a serem alcançados em uma sessão, passo-a-passo, são:
1o) não perder muito dinheiro
2o) não perder dinheiro;
3o) ganhar dinheiro;
4o) ganhar o máximo possível.
Analisemos cada um destes em separado.
1o) Não perder muito dinheiro
O "muito" é uma definição particular, cada um sabe quanto é muito para si.
A maneira mais fácil de não perder muito é limitar a sua aposta. Por exemplo: "não perder mais que $25 por dia". Perdeu os $25? Acabou o jogo, por hoje. Isto exige, claro, disciplina, para cumprir o que estabeleceu. Acho que existe uma única situação que justifica continuar jogando após ter perdido o que estabeleceu: se estava bem no jogo e só perdeu o estabelecido por causa de uma bad beat e este revés não te tiltou. Se estes dois critérios estão presentes (o que é difícil, visto ser muito comum tiltar após perder muito dinheiro em uma bad beat), é viável continuar no jogo, pois a tendência é que recupere o prejuízo e possa até ganhar. Na verdade, mesmo preenchendo os dois critérios, existem duas opções: voltar ou não. Porque, mesmo jogando bem, é um fato inevitável que pode ocorrer outra bad beat, e acabar perdendo duas vezes o planejado. Neste caso, perdendo duas vezes o planejado, mesmo jogando bem, não é aconselhável voltar - porque o "tilt", mesmo que não esteja visível de uma forma clara, poderá estar presente de uma forma mais sutil: na expectativa de reverter o prejuízo - isto altera sua forma de jogar, colocando-o em mais riscos e, possivelmente, piorando a sua qualidade de jogo, o que pode levar mais facilmente a perder - e a conseqüências psicológicas que poderão afetar seu jogo até nos dias seguintes. Além disto, existe o risco de uma terceira grande bad beat, por que não?! A verdade tem que ser encarada: pôquer é um jogo de habilidade? Sim, mas sabemos bem que não é só isso - ninguém sabe que carta o river trará... E aí, lá se foram três vezes o limite estabelecido para a perda...
Então, creio que uma fórmula bacana seja: estabelecer um limite máximo de perda (por exemplo: $50), além do qual você não jogará de forma alguma, mesmo que esteja jogando bem e esteja ainda tranqüilo. A questão do limite máximo não se refere à qualidade do seu jogo, mas ao dinheiro. Se você estabeleceu um limite de perder por dia, seu dinheiro "acabou", e pronto! Continue amanhã, ou depois de amanhã, mas hoje não. Vá estudar seus erros, que ganhará muito mais com isso.
Estabelecido o limite máximo diário ($50, no nosso exemplo), eu redivido o limite em dois ($25), e este meio-limite é um "sinal amarelo", onde, se chegar a ele, eu dou uma paradinha e avalio o meu jogo. Estou perdendo por azar ou por estar jogando mal? Ou até estou jogando bem, mas os adversários estão melhores ainda? - apesar de ser muito difícil de se reconhecer isto. Se foi bad beat, azar, ou sei que posso jogar melhor, e estou tranqüilo, continuo, se quiser. Caso contrário - ou seja, estou jogando mal mesmo (e é fundamental perceber e admitir isto) -, então eu paro.
E, se continuo e perco os $50, independentemente do motivo, paro mesmo, acabou o dia.
Desta forma, se eu considero que perder $50 por sessão não é perder muito, e se consigo manter esta disciplina, não há como eu perder muito dinheiro no pôquer.
O primeiro objetivo já está alcançado. Vamos ao segundo.
2o) Não perder dinheiro.
Há uma maneira muito fácil de não perder dinheiro com o pôquer: basta não jogar, hehehe. OK, sem brincadeiras...
A estratégia que promove mais fácil o não perder (ou perder pouco, comparado ao que seria perder muito), é jogar bem tight, isto é, ir apenas com mãos iniciais muito boas e, quando ir, não arriscar demais. Mas é difícil alguém jogar de determinada maneira se esta não casa com sua personalidade. Há pessoas que gostam de arriscar mais, e estas não agüentarão ficar esperando cartas, e apostar baixo quando estas vierem. Portanto, esta estratégia dificilmente pode ser utilizada pelos mais ansiosos, pelos mais aventureiros. É mais estilo que estratégia. E a tendência é que o tight muitas vezes tenha ao final do jogo um saldo próximo a zero, porque quando resolve jogar, dificilmente outros pagarão muito por suas apostas, pois desconfiarão que ele tem um "jogão" nas mãos - não é raro, por exemplo, um muito tight dar um raise, ninguém pagar, e ele morrer com AA na mão e levar só os blinds...
Existe alguma fórmula, então, que sirva a todos, inclusive aos "aventureiros", para não perder dinheiro? É mais difícil... Quem joga de forma mais solta vê o seu stack passar por grandes oscilações durante o jogo. Por exemplo, começa com $50, cai a $30, sobe para $70, cai a $25, sobe para $80... Se o jogo transcorre assim, o melhor para não perder dinheiro é: quando estiver próximo do momento de parar, aguardar então um momento em que o stack esteja próximo de zero e encerrar ali. Existirá a tentação de continuar até estar positivo, só que, se está mesmo perto de parar, esta ansiedade para ficar positivo poderá prejudicar o restante do jogo, e acabar levando à perda. Além disto, se está próximo de sair da mesa, é porque está cansado, muitas vezes - e isto também reduz a qualidade do jogo. Melhor parar no zero-a-zero (perdeu só tempo, mas pode ter ganho algum aprendizado) do que parar no negativo, não?
Por fim, existe outra situação: aquele tipo de jogador que é mais contido, e que vai ganhando lentamente, mas, em determinado momento, começa a perder tudo o que ganhou, às vezes lentamente também, às vezes de forma rápida. Este jogador deve continuar na mesa? Voltamos à questão: a perda do lucro foi bad beat e o jogador continua calmo, capaz de manter o mesmo nível de jogo que vinha aplicando? Se sim, é OK continuar. Porém, a perda pode estar acontecendo porque a qualidade do seu jogo caiu (cansaço, ou não consegue mais ler os outros jogadores) ou a dos adversários melhorou (eles já conseguem te ler melhor). Aí o jogo ficou desfavorável, e a tendência é cair do zero para o prejuízo. Melhor parar. É mais racional, é mais lógico. Claro que ganhar dinheiro seria melhor que não ganhar, mas também é lógico que não perder é melhor que perder. Saia da mesa, estude os erros, volte em outro momento.
O fato de não perder dinheiro é uma coisa pouco valorizada, no pôquer. Os méritos são sempre para os vencedores. Mas não encare isto assim. Se alguém ganha, é porque alguém perde. E sempre há alguém perdendo dinheiro no jogo, todo dia, toda hora. Se você não perde, já é um grande feito, especialmente se você é iniciante. Já é uma grande coisa, sim.
3o) Ganhar dinheiro (continua semana que vem...)
(Fernando César)
(E-mail) (Orkut)
segunda-feira, 18 de agosto de 2008
ADMINISTRANDO SEU STACKE
a filosofia do poquer I
Alguém já pode ter reparado que às vezes eu começo um assunto, digo que falarei dele em outro texto e acabo não voltado. Hehe. Coisas de iniciante, que acaba pensando em vários assuntos ao mesmo tempo. Bom, mas um dia eu volto, volto sim...
A FILOSOFIA DO PÔQUER (I)
É impossível ganhar todas as mãos, no pôquer. Primeiramente, por uma questão matemática - numa mesa com 10 jogadores, a sua chance de estar com a mão vencedora em uma rodada é de 10%; de estar com a vencedora em duas rodadas seguidas é 1%; três seguidas: 0,1% etc. Pelas probabilidades, você só terá a mão vencedora em cerca de 10% das vezes (numa mesa com 6 jogadores, este índice sobe para 16,6%).
Se em 90% das vezes a sua mão não é a vencedora, é possível, nestes casos, mesmo assim ganhar? Só se fizer seus adversários descartarem a mão vencedora. Como? Blefando. Só que também é impossível ganhar todas as mãos blefando. Por quê? Porque logo desconfiarão de você e começarão a pagar.
O esperado seria que cada jogador, numa longa sessão, ganhasse um número relativamente parecido de mãos, em porcentagens, se todos jogassem até o showdown. Porém, a cada sessão a sorte favorecia mais a um que a outros, e seria normal, por exemplo, que um ganhasse 15% das mãos e outro apenas 5%.
Mas, a longo prazo, a sorte tende a não favorecer ninguém.
Só que, além disto, boa parte das partidas não vão até o showdown, justamente por causa do estilo de cada jogador. Um jogador mais loose, agressivo, ganhará mais mãos que a sorte naturalmente lhe reservaria, porque retirará da jogada os mais cautelosos, que muitas vezes teriam a mão vencedora. Os blefadores também ganharão mais mãos que o natural. Os tight ganharão menos que o esperado. Só que isto não quer dizer que os mais conservadores perderão dinheiro e os mais agressivos ganharão mais. Ganhar o maior número de mãos não significa sair com lucro porque os mais agressivos gastam muito para ir a muitos showdowns que perderão. Os tight podem sair vencedores, se nos poucos potes que disputarem e vencer houver uma grande quantia de dinheiro.
Portanto, a regra de ouro para sair ganhando dinheiro, no final de uma sessão, é gastar pouco, ao perder uma mão, e lucrar muito, ao vencer uma mão.
OK, nenhum segredo até aqui. A questão é: em qual mão investir, e em qual não?!
[Obs.: quando estamos falando de mão, neste artigo, não é apenas a mão inicial (ex.: JTs, uma boa mão), mas da mão formada até aquele momento do jogo, o que inclui as cartas que estão no board (ex.: 2-3 na sua mão ruim e 4-5-T no flop formam uma ótima combinação, pelas duas pontas abertas para seqüência).]
Uma partida tem diversos momentos, justamente os que são destinados às apostas: antes do flop, após o flop, após o turn e, finalmente, após o river.
Diversos livros de estratégias tratam em separado de cada momento destes. Não é nossa intenção aqui nos aprofundarmos nisto. Pelo contrário, estamos em busca da essência de todos estes momentos. Dos segredos que estão presentes em todos estes estágios de uma mão.
Pois bem. Existem poucas situações possíveis, em cada um deste momento. Você, analisando suas cartas e as comunitárias, que estão na mesa, pode chegar a uma das seguintes conclusões:
* tenho certeza que ganho;
* acho que ganho;
* talvez ganhe, talvez perca...;
* acho que perco;
* tenho certeza que perco.
As situações básicas são essas, sempre, independentemente de quantas cartas já foram abertas na mesa.
Por exemplo:
1) antes do flop, você está com KK. Você acha que ganhará, embora não tenha certeza disso - um A8 com um A no flop te derruba.
2) antes do flop, numa mesa de 10 pessoas, você tem 7-2, de naipes diferentes. Você tem quase certeza que perde. Não é certeza porque um flop 7-7-2 mudaria tudo... Mas você sabe que a chance do flop ser este é baixíssima.
3) após o river as cartas no board são K-T-7-4-2; você está contra mais um oponente que tem dado check desde o flop até o river. Você tem 7-5 na mão. Você não pode dizer nem que perca nem que ganhe. Talvez ele tenha um T, talvez segure 88, talvez 66, talvez ele não fez nem um par. Você não tem idéia do que ele tem e seu jogo é mediano.
4) o board foi Ks-Jh-9s-4s-4d. Há três cartas de espadas neste board. Você tem As-6s na mão ¿ ou seja, o melhor flush possível. Se alguém segurar um flush também, você ganha. Se alguém segura Q-T, formando seqüência, você também ganha. Ganha de alguém que tenha KJ, assim como quem tenha uma trinca de 4. Mas perderia para algumas mãos: KK, JJ, 99, 44, K4, J4, 94. Como acha pouco provável que alguém jogue em estas três últimas, e sabe que é pequena a chance de alguém ter saído com uma das 4 primeiras, você tem quase certeza que ganhará.
5) etc. Os exemplos são inúmeros. O que estamos querendo frisar, por enquanto, é que, a qualquer momento, as suas análises do jogo não podem ser diferentes destas situações básicas
Só que há uma coisa que faz diferenciar um momento dos demais: o river. Ele é o fim da linha, tanto para quem estava esperando construir uma mão forte como para quem esperava que os outros não conseguissem.
O que diferencia o momento após o river dos demais é que, até o turn, em quase todas as suas análises deveria ser acrescentado um "por enquanto": "por enquanto, tenho certeza que ganho" (quando você sai com AA, antes do flop, "por enquanto" você está ganhando); "por enquanto, estou perdendo" (ex,: 2-2 na mão e AKJ no flop - por enquanto, é quase certo que você está perdendo, mas um 2 no turn e um outro improvável 2 no river mudariam tudo...).
Antes do river é o "por enquanto", depois dele é a hora da verdade.
Desta forma, distinguimos dois momentos principais: antes e após o river e as possíveis análises em cada um destes dois momentos.
O resultado de uma sessão é a soma de todos os resultados de todas as mãos: o tanto que ganhei menos o tanto que perdi. E o negócio é ganhar o máximo possível e perder o mínimo possível. (Lembrando que esse "mínimo" nunca será zero. Mesmo os tight têm que pagar blinds com cartas que fatalmente terão que desprezar frente a qualquer raise; mesmo eles apostarão em cartas que têm quase certeza que ganharão mas que serão surpreendidas por jogos maiores.)
A perda é garantida. Todo blind que você paga já não pertence mais a você, e sim ao pote. Se ele voltar pra você, ótimo, mas nem AA ou KK garantem este retorno.
Já o ganho não é tão certo. Ou seja, a batalha pelo lucro é dura.
O que vai determinar o saldo final positivo é perder pouco com mãos fracassadas e ganhar muito nas poderosas. Mas, como é fácil perceber, raramente teremos em mãos um jogo que teremos certeza que ganhará. Também poucas vezes teremos certeza de não estarmos com a mão vencedora - porque o adversário pode estar blefando, e mesmo o seu jogo que não deu nenhum par, mas possui um K na mão, pode ser maior que o dele, que também não tem nada, apenas uma Q como kicker. Assim, é correto afirmarmos que na maioria das situações não temos certeza do potencial da nossa mão.
Muitas vezes achamos que ganharemos mas acabaremos perdendo. E vice-versa.
Isto leva aos seguintes resultados possíveis:
* sei que ganharei --> ganho;
* acho que ganharei --> ganho a maioria, mas perco muitas;
* não sei se ganharei ou perderei --> talvez ganhe a metade, e perca a metade;
* acho que perderei --> perderei quase todas, mas ganharei algumas;
* tenho certeza que perderei --> perco.
Os pontos principais do resultado de um jogo estão dentro de algumas destas situações:
1) sei que ganharei: tenho uma quadra, não é possível que alguém tenha feito um straight flush. Como fazer para arrecadar o máximo de dinheiro possível com esta mão?
2) sei que perderei: tenho 2-4off na mão e o board foi A-3-6-K-T rainbow. Até um 2-5off ganha de mim. Quanto eu poderia apostar para conseguir fazer o outro correr? Ou nem um all-in fará ele dar fold? Ou eu devo eu dar fold e perder o que já coloquei no pote sem arriscar-me a perder mais?
3) acho que ganharei: A na mão, A no board, o adversário parece não ter dois pares. Até quanto ele pagaria? Qual o risco de eu apostar muito e acabar sendo surpreendido e perder?
4) etc. Para cada situação há suas perguntas-chave.
Mas, vejamos bem, a situação é ainda mais complexa do que parece. Porque estas questões acima são válidas após o river. Pois, antes dele, são um pouco diferentes.
Um exemplo: tenho JJ na mão e o flop foi Jc-Td-4c. Neste momento, estou ganhando. Mas uma Q transforma alguém que tenha AK em vencedor. Mas mais uma carta de paus dá um flush a quem segura AcQc ou mesmo 6c-5c.
No primeiro momento do jogo, que para nós, aqui, é tudo o que acontece antes do river, neste primeiro momento as questões são diferentes.
Sei que estou ganhando. Quero aumentar o pote, para ganhar muito, mas quanto devo apostar para que os adversários continuem vantajoso continuar perseguindo suas seqüências, seus flushs, sem dar fold? Quero aumentar o pote, mas e se eu aumento e alguém dá um raise? Terei que pagar, claro, ótimo, mas e se o jogo deles acontecer só no river? Terei perdido muito dinheiro nessa...
Vejamos um exemplo prático (clique e assista até o fim, são só 3 minutos e um grande lance):
Daniel Negreanu x Sam Farha
Negreanu "flopa" um nut straight. Fahra tem apenas cerca de 37% de chances de fazer um flush, um flush que estaria longe de ser o mais alto possível, diga-se de passagem. Quando o flush se concretiza, Negreanu consegue ler a mão de Fahra e dá fold, corretamente. Ele arriscou, ao deixar Fahra ir até o river. (Observe que ele dá apenas call à Fahra após o flop.) Se o flush não acontecesse, ele ganharia muitas fichas até lá. Perdeu poucas, ao dar fold. Se tivesse aumentado muito a aposta após o flop, pode ser que Farha pagasse (esses campeões fazem jogadas imprevisíveis - como jogar com 92s...), mas é provável que tivesse saído. Negreanu ganharia poucas fichas, mas ganhar poucas é melhor que perder poucas, não? E, aliás, se Fahra não coloca Negreanu em all-in após o river, é provável que ele pensasse menos e pagasse, perdendo ainda mais fichas...
Não é minha intenção discutir, aqui, quem jogou certo. Com este vídeo, apenas quero mostrar os dilemas do "por enquanto". Após o flop, Negreanu tinha certeza de estar ganhando. Mas se saísse um 8 no board haveria um empate. Um flush acabaria (e acabou) com seu jogo. O par 55 na mão de alguém, trincado no flop, teria virado uma quadra no river. Etc. Ou seja, o que fazer, acabar logo com a mão? Arriscar a acabar e ser pago e perder muito, talvez tudo? Ir vendo, e arriscar-se a perder pouco? As dúvidas são muitas e são a própria essência e beleza deste jogo.
Mas o pôquer não é para ficarmos admirando sua graça e... perdendo dinheiro! Precisamos tomar decisões inteligentes nestas situações.
Até que ponto vale a pena continuar pagando por um possível flush? Até quando deixar seu adversário pagar por um possível flush?
Feita toda esta introdução, comecemos a analisar algumas situações em particular.
1o) VOCÊ ESTÁ GANHANDO, POR ENQUANTO
Suas cartas iniciais são as tão aguardadas A-A. Por enquanto, você está ganhando. Você está em final position, e uns 3 deram limp até você. O que fazer?
Vejo muita gente dando apenas o raise mínimo nesta posição. Por exemplo, numa mesa $0.10/0.25, faz um bet total de $0.50 (2 BBs). Eu quase não entendo esta jogada. Quem pagou $0.25 por suas cartas, provavelmente pagará mais $0.25, ainda mais porque o pote cresceu. Então, restarão uns 3 adversários, por exemplo, se um dos limp der fold e se o big blind completar. AA contra outros três adversários já não é mais um negócio da China... Você ainda está ganhando, o pote cresceu (para $2.35), mas agora tem tantas chances de ganhar quanto de perder... Você pagou para um pote onde suas chances são cerca de 50%, ou seja, investiu em loteria. Para quê?! Aí vem o flop e alguém pode fazer duas duplas, uma trinca, possibilidade de flush, de seqüência etc. Em chances próximas de 50%, a longo prazo este tipo de jogada não seria nem lucrativa nem prejudicial. Então, por que faze-la?!
O único benefício que vejo neste raise é a mensagem que pode ter passado à mesa: "tenho alguma coisinha promissora na minha mão". Mas esta mensagem poderá nem ser levada muito a sério, porque é normal o raise em final position. E, aliás, é até melhor que pensem que você não tem nada mesmo...
Por outro lado, se tivesse feito uma aposta mais alta, por exemplo $1 (4 BBs), pode ser que apenas mais um topasse continuar. O pote estaria mais alto ($2.85) e suas chances de ganhá-lo seriam no mínimo de 80%! Claro que o outro só continuaria no jogo após o flop se fosse ajudado pelas 3 cartas, caso contrário desistiria logo ali, continuando apenas se tivesse algo como AK, KK, QQ na mão - porque antes do flop você sinalizou que tinha um "monstro" na mão. Ou seja, provavelmente o lucro daí em diante não seria mais tão grande. Mas, mesmo assim, foi um lucro de pelo menos uns 8 BBs, ao contrário da primeira opção de jogada, que, a longo prazo, não daria lucro.
Uma outra opção seria matar o jogo antes do flop. Um raise de $2 (8 BBs) provavelmente faria com que todos dessem fold. O lucro seria menor (4,5 BBs), mas o risco seria zero.
Qual a melhor opção? Esta última só é boa para os muito medrosos, que não querem correr risco algum estando com o melhor jogo. Só que os muito medrosos não terão coragem de dar um raise de 8 BBs, porque "vai que alguém paga", e o flop sai KJ6? O medroso começa a pensar: "E se ele fez duas duplas? E se fez trinca?" E acaba fugindo de um raise ou re-raise qualquer.
Nem matematicamente esta terceira opção compensa. Ter 100% de certeza de ganhar 4 BBs significa ganhar, em 100 jogadas semelhantes, 400 BBs. Já ganhar 85% das vezes 8 BBs significa, em 100 jogadas idênticas, ganhar 680 BBs (85 x 8) e perder 60 (15 x 4), dando um saldo positivo de 620 BBs. Ou seja, cerca de 50% maior que o raise matador.
É óbvio que na "vida real" as coisas não serão bem assim: às vezes ninguém pagará o raise de $1, às vezes alguém pagará o raise de $2 - e ainda dará re-raise, às vezes todos podem dar fold ao seu mísero raise de $0.50...
Mas, mesmo as coisas não saindo exatamente sempre da mesma maneira, elas têm um modo mais freqüente de ocorrer, e as hipóteses que levantamos aqui são as mais lógicas: quanto maior o seu raise, menor a chance de alguém permanecer na mesa. E é claro também que outros fatores devem ser considerados: por exemplo, se naquela mesa específica há alguém que não agüenta ser provocado com um raise enorme, ótimo, dê o raise de 8 BBs e deixe ele se afundar. Etc.
Disto tudo, parece que tiramos uma primeira lição: o slow playing não compensa quando se está com o maior jogo na mão e há uma possibilidade grande de que este jogo não seja mais o melhor até o showdown.
Outro vídeo do Negreanu, acontecendo quase a mesma coisa do primeiro (não é perseguição com o Negreanu, rsss): (este são 7 minutos, mas o pote chega a centenas de milhares de dólares!)
Daniel Negreanu x Gus Hansen
A situação aqui é após o flop. Negreanu tem uma trinca. Estaria perdendo apenas para 9-9 ou 8-7 (combinação menos provável de estar sendo jogada por Gus). Mais uma vez, não matou o adversário com o quase-nuts, e evoluiu para um full, mas seu adversário fez uma quadra! Errou? Difícil dizermos isto... Tinha uma trinca, queria coletar mais. Um full, quis coletar ainda mais. Mas, sem dúvida, um dos mais caros bad beats a que alguém se sujeitou na história do pôquer...
Bom, por hoje, chega... Este texto já está enorme, e é mesmo um assunto muito importante. Voltamos a ele nos próximos artigos.
Um abraço a todos.
(Fernando César)
(E-mail) (Orkut) MSN: fernandopsiquiatria@bol.com.br
TELLS IV - RESUMO CARO
Duas pessoas perguntaram sobre RSS nos comentários. Juro que tentei, esta semana, tornar o blog apto ao sistema, mas não conseguir. Se alguém souber como, me avise, por favor. Se não der certo, talvez em janeiro mude o blog para outro servidor que suporte facilmente o serviço, como o blogspot.
Hoje o post é dois-em-um. No 4o artigo da série, rapidamente falo do restante do "Poker Tells"; no 5o e último discuto problemas relacionados às tells.
TELLS (IV) - RESUMO DO LIVRO DE MIKE CARO (parte 2)
O texto do post anterior era um resumo das tells ensinadas por Caro no primeiro terço do livro. O que ele ensina depois é meio repetitivo (ou melhor, ele aprofunda-se nos temas), e por isto preferi não continuar a fazer aqui um resumo do restante. Recomendo a leitura do livro, que na verdade é o melhor que se pode fazer.
Neste texto, apenas farei mais uma indicação. Se você entende um pouco do inglês falado, visite a seguinte página, da Mike Caro University: http://www.poker1.com/absoluteig/mculib_videos.asp?categoryid=13. Nela você encontrará vários vídeos, curtos, onde o próprio Caro explica as tells. Os atores exageram, nas cenas, mas vale a pena. Para assistí-los, é necessário ter ou fazer o download do Quick Time.
Coloquei um desses vídeos no YouTube, para poder colocá-lo aqui, como exemplo.
TELLS (V) - PROBLEMAS
O estudo das tells apresenta uma série de problemas (ou desafios) que precisam ser abordados.
1) OS JOGADORES ESCONDEM AS TELLS
Não é fácil captar as tells. Por quê? Porque logo que você aprendeu as regras do jogo, também aprendeu que o segredo é enganar o seu oponente. Ou seja, se tem jogão, faz de conta que não tem nada. Então você aprendeu que quando tem AA, tem que fazer cara de tristeza, e quando tem 72 tem que sorrir e dizer "hummm...". Perfeito. Só que aí logo você descobre que se fizer cara de triste e depois mostrar AA, as pessoas vão perceber que você está fingindo exatamente o contrário do que tem. E que quando tiver AA novamente e fizer cara de desapontamento, as pessoas vão desconfiar que você tem um monstro nas mãos e vão correr. Então você aprende que o melhor é não demonstrar nada. Manter o mesmo semblante se tiver AA ou 72.
Chris "Jesus" Ferguson é mestre nisso. Veja esse vídeo:
Segurando ases, blefando ou com queda para flush, seu comportamento é praticamente o mesmo. É isso o que devemos fazer. O chapéu e os óculos escuros ajudam (ok, serve um boné), mas é um engano pensarmos que escondendo o olhar estaremos livre de oferecer tells. Porque, como vimos nos artigos anteriores, a maioria das tells não é fornecida com o olhar.
A vantagem dos óculos escuros é poder estar espionando os outros jogadores com discrição. Mas geralmente joga-se de óculos escuros em busca de segurança. Isso é um problema, pois pode achar que está protegido e ficar emitindo outras tells, sem perceber.
E se seu oponente está de óculos escuros, há uma maneira de desestabilizá-lo. Quando quiser estudá-lo, olhe nos olhos dele como se pudesse ver através das lentes de seu óculos. Mesmo que você não consiga ver nada! Ele vai ficar encucado, e muitas vezes vai emitir alguma tell (um sorriso sem-graça, ou engolir em seco...). vai pensar que ou os óculos deixam ver seus olhos ou, pior, que estão refletindo as cartas, se ele as segura na mão.
Pois bem, voltando ao assunto... Um dos desafios das tells é este, todos tentam não demonstrá-las. Por isto é tão difícil captá-las. Porém, o que a maioria dos jogadores não sabe é que muitas das tells são emitidas de forma inconsciente. Ou seja, prestando atenção, é possível captar tells mesmo de quem tenta não emití-las.
2) É DIFÍCIL MANTER A ATENÇÃO NOS OPONENTES
Você já tem bastante coisas para se preocupar, em uma mão. As cartas que recebeu, se o flop ajudou ou não etc. Além disso, você já tentou observar seus oponentes e não captou nada. Nesse ponto, o jogo live acaba ficando muito parecido com o online. Qual a diferença, se nos dois você não consegue "adivinhar" as cartas do seu adversário? As únicas informações que você obtém sobre as cartas dele derivam de outros fatores: se entra em flops demais, pode ter um leque amplo de cartas na mão; se blefa muito, pode ser que não tenha nada etc.
Realmente, é difícil manter a atenção nos oponentes. Até mesmo porque, em uma mesa cheia (full ring), serão 9 adversários! Olhar pra quem?! Bom, você, como um bom jogador de pôquer, sabe que é imprudência entrar em muitos pots no começo do jogo, seja cash, sit ou torneio. O que fazer, nesse período? Aproveitar para fazer uma análise do estilo de cada jogador. Verificar os mais loose, os mais tight etc. Depois disso, se for para concentrar sua observação em alguém ou em alguns jogadores, concentre-se nos mais tight, porque são mais perigosos. Preste atenção também ao chip leader da mesa.
O importante mesmo é prestar atenção, mesmo que seja em um só. Treinar-se em prestar atenção! É difícil, mas com a prática torna-se mais fácil. Tente construir o hábito de só olhar as suas cartas quando for a sua vez. Assim, você não fornece tells antecipadamente. E olhe para os adversários assim que eles olham para as cartas deles, assim como olhe para eles quando o flop é aberto, e não para as cartas na mesa. Essas reações que eles emitirão neste momento são mais espontâneas. Lembre-se: suas cartas nem a da mesa mudarão se você não olhar imediatamente para elas!
3) VOCÊ NÃO CONSEGUE ESCONDER QUE LÊ TELLS
Você percebe que a pessoa, ao blefar, morde os lábios. E aí, na próxima vez que ela faz isto, você paga a aposta, e ganha. E então você não se segura e fala: "toda vez que você blefa você morde os lábios". Pronto, você estragou tudo, perdeu a mina-de-ouro. Seu oponente não irá mais morder os lábios, ou pior, irá morder sem estar blefando, apenas para te enganar.
Mantenha seus adversários inconscientes dos atos deles!
Não dê bandeira de que está observando seus oponentes, seja discreto.
Após ter tomado uma decisão baseado numa tell, não aja imediatamente, hesite. Isto tem uma dupla vantagem: evita que eles se toquem do que está acontecendo, e mais, talvez eles até aumentem a simulação (e emissão de tells), pois desta vez "quase" deu certo para eles.
E por mais que seu ego queira esfregar na cara do adversário que você fez uma brilhante leitura do comportamento dele, não faça isto, pois ele irá tomar consciência e isto significará prejuízo para você. Se tiver que "esfregar" algo, que seja apenas os bons resultados.
4) NEM SEMPRE A TELL SIGNIFICA O QUE PARECE
Mike Caro, no seu livro "Poker tells", fala sobre a "reliability" de cada tell. O que é isto? É a chance de que a tell que você observa realmente significar o que ela aparenta. Caro calculou a reliability de cada tell. Mesmo contra um jogador muito fraco, nenhuma tell é 100% segura.
Um exemplo qualquer: olhar o flop, olhar rapidamente para as fichas e olhar para longe: geralmente significa que fez um jogão. Você vê isso, e dá fold no seu par baixo. Aí chega a vez do cara falar e ele dá fold também... Por que a tell falhou? Ora, vai ver ele viu o flop, não gostou, olhou para as fichas para se certificar de que ainda não precisa investir, e olhou para longe para ver o movimento da casa. Normal...
Mas o conselho de Caro é veemente: na maioria das vezes, a tell significa o que aparenta. Portanto, seguindo o que a tell te mostrou, você acertará na maioria das vezes.
Porém, não seja bobo de ser enganado seguidamente. Se aquele jogador do exemplo acima fizer a mesma coisa, desconsidere, aja como se não tivesse visto a tell. Pelo menos desta vez. E observe, afinal, o que ele fará.
5) UM JOGADOR ESPERTO VAI TE ENGANAR COM TELLS
A reliability de uma tell qualquer é sempre menor contra jogadores experientes. Por quê? Porque ele entende um pouco de tells e irá emiti-las de forma contrária, propositadamente.
Este é o grande problema das tells, em jogos contra oponentes realmente bons, a meu ver.
Pense na seguinte situação: você entende um pouco de leitura de tells. O seu adversário também. Melhor do que não emitir nenhuma, como o Ferguson, é emitir uma ao contrário. Uma que indique que você está blefando, se tem um jogão. Ou que tem um jogão, se está blefando, certo?
Só que uma tell falsa, para ser emitida, exige um certo trabalho, para não ficar artificial. O adversário tem que fingir que não sabe que você está de olho nele. Ao mesmo tempo, você tem que fingir que não está de olho, para que ele possa emitir a tell mais livremente. Ou seja, a coisa vira um jogo de gato-e-rato sem fim...
Porque depois que você descobre que ele emitiu uma tell falsa, ele vai emitir uma outra para você pensar que é falsa, mas é verdadeira! Ou então, supondo que você pense que ele fará isso, emitirá uma falsa, pra que você pense que é verdadeira, mas é falsa mesmo!!!
Ufa!
Se seu adversário for tão ardiloso assim, talvez o melhor a fazer seja deixar de tentar observar as tells dele, porque só irão te confundir...
6) FORNECER TELLS A SEUS OPONENTES
Tudo oque você não quer é fornecer tells. Jogadores experientes são bons em captá-las. Se joga contra eles, precisa estar atento para que seus atos não "entreguem" o seu jogo.
Baseado nas tells mais típicas, podemos sugerir os seguintes comportamentos para evitar leituras:
* ao olhar suas cartas, memorize o valor e o naipe de cada, para não ter que "conferi-las" após um flop "naipado", ou que sugira seqüência etc.;
* tente manter um padrão para apostar, independentemente de estar blefando, "monster" ou apenas esperando algo. Leve o mesmo tempo para se manifestar na sua vez, coloque as fichas da mesma maneira, no mesmo tom de voz etc. Mantenha também o mesmo padrão de comportamento para depois da aposta feita. Reveja o vídeo do Ferguson...;
* porém, em alguns momentos solte-se, e reaja naturalmente. Forneça algumas tells. Depois, faça o contrário, forneça as mesmas tells só que com cartas opostas, isto é, dê a tell de jogo bom estando ruim etc. Seja um ator. Isto irá confundir quem tentar ler você.
CONCLUSÃO
Concordo que o assunto é meio complicado. Porém, desistir por causa disto é estar perdendo duas vezes. Porque você deixa de ganhar, se não o estuda. E realmente perde, se seus adversários estudarem o tema.
Ou seja, vamos tentar!
(Fernando César)
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HOLLIDAY
INTERVALO DA SEXTA
BIOGRAFIAS - DOC HOLLIDAY (1851 - 1887) Seu nome de batismo era John Henry Holliday.
"Doc" Holliday passou à história como um dos maiores mitos do Velho Oeste. Era dentista, mas sua fama deveu-se mesmo a outros fatos, como a sua habilidade na mesa de pôquer ou com uma arma na mão.
Era amigo do xerife Wyatt Earp, que o descreveu como o homem "mais mortal" com uma arma de fogo que já tinha visto. Doc usava espingardas, pistolas e um Colt, além de andar com uma faca em uma bainha sob a axila. Os dois, mais dois irmõs de Earp, participaram do episódio no "The Curral OK", onde em uma confusão, em 30 segundos mataram 3 pessoas e 2 conseguiram fugir.
Earp também disse que Holliday era o mais habilidoso "gambler" (jogador) que ele conhecera.
Hoje as pessoas reclamam se há alguém fumando nas salas de jogo, mas se esquecem que a tradição do pôquer envolvia não apenas a fumaça dos cigarros e charutos, mas também até a dos canos de revólveres. Isso sem falarmos das trapaças. Roubar era aceitável - desde que não fosse descoberto!
Doc tinha tuberculose e bebia muito. Dessa forma, se envolvia em muitas confusões, várias delas no jogo.
Acabou morrendo aos 37 anos, por causa da doença.
Doc foi retratado em vários filmes, sendo "Tombstone" (1993) um dos mais recentes (onde é representado por Val Kilmer) - que, segundo historiadores, é cheio de errinhos.
(Este trecho do filme não tem legenda e parece que foi filmado de uma TV. Tosco, portanto...)
[Obs.: se você se irrita com os vídeos do YouTube travando, clique em Play e depois Stop. Ele continuará carregando. Assista após ter carregado por completo, que não travará]
Hoje, Doc dá nome até a um cassino no Colorado.
Ou você pode, ainda, comprar acessórios para pôquer com a imagem de Doc...
Bibliografia consultada:
http:// en.wikipedia.org/wiki/Doc_Holliday
(Fernando César)
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TELLS III - RESUMO CARO
[Off topic: a partir de agora, todas as informações sobre a Liga Goianiense estarão NESTE SITE.]
No post de hoje, um resumo de parte do livro de Mike Caro, "Poker tells". Este texto será completado semana que vem, provavelmente terminando o assunto "tells".
TELLS (III) - RESUMO DO LIVRO DE MIKE CARO (parte 1)
O "Poker Tells" de Mike Caro é um dos poucos livros que você pode ler apenas o resumo sem perder muita coisa (sem perder muita, porque algo sempre se perde; então, tendo oportunidade, leia o original, que é de simples leitura). Seu livro pode ser condensado no que ele chama de "leis", às quais somamos alguns outros comentários significativos do próprio autor, e pronto. O complicado deste livro não é ler ou decorar as tells: é conseguir realmente observá-las em seus adversários. Isto exige dedicação, esforço mental. Mas vamos lá...
Caro começa dizendo que existe uma infinidade de sinais, e que seriam impossível catalogar todos. Contudo, quando vir um novo sinal, basta armazená-lo, após descobrir qual era a intenção do jogador.
Por regra, tenha a seguinte atitude: o momento em que o jogador recebe suas cartas e o momento em que cartas são abertas na mesa são cruciais, pois aí são emitidas algumas reações espontâneas. Passado este breve instante, o jogador se recompõe. Logo, nestes dois momentos não olhe para suas cartas nem para as cartas abertas na mesa: olhe para seus adversários! As suas cartas nem as da mesa mudarão mesmo, deixe para preocupar-se com elas quando for sua vez de se manifestar e já tiver colhido todas as informações possíveis sobre o jogo de seus adversários.
(Caro também analisa algumas tells específicas de jogos como o Seven Card, o Draw etc., mas são poucas, e não falarei delas aqui, apenas das que servem ao Texas Hold`em.)
A "Grande lei das tells" é: os jogadores estão atuando (simulando) ou não. Se eles estão, então descubra o que eles esperam que você faça e os desaponte.
O princípio que regula a emissão e recepção das tells é o seguinte: não existe decisões padronizadas sobre o que fazer em determinada situação. Portanto, a decisão de como agir será baseada numa série de acontecimentos recentes. Um jogador que atua tenta ser um fator que influencie nesta sua decisão. De modo inverso, a sua atuação também deve influenciar a decisão dos seus oponentes na direção que você deseje.
I) Tells emitidas fora do combate:
* O comportamento geral de um jogador demonstra sua maneira geral de jogar. Por exemplo: bem vestido, arruma bem suas fichas etc.: tight; blefe em cima dele, corra de suas apostas.
* O jeito de comprar fichas: se esbanja dinheiro, evite blefar em cima dele, aposte alto quando tiver um bom jogo.
II) Compartilhando uma mão:
* Se alguém se aproxima e um jogador lhe mostra suas cartas, olhe para a pessoa que viu as cartas - ela irá se comportar forçadamente de maneira oposta ao que viu. Se viu um jogo alto, irá fazer uma cara que tente demonstrar o contrário, e vice-versa.
* Se um jogador mostra a outra pessoa suas cartas logo no início da mão, provavelmente as cartas são boas. Ele não quer mostrar que joga mal, especialmente se compartilha a mão com namorada(o) etc.
III) Checando a mão novamente:
* Se alguém faz uma aposta e volta a olhar suas cartas por um bom tempo, provavelmente sejam fracas e ele esteja fingindo que "estuda o jogo".
* Em flops "naipados", se alguém checa novamente suas cartas (de forma genuína, isto é, rápida) é porque não possui outras duas do mesmo naipe, e quer conferir se possui ao menos uma.
* Quando o flop contém apenas rags (cartas baixas) e um jogador confere suas próprias cartas, é provável que possua uma alta e uma baixa. Certamente ele não fez trinca.
* Se o flop sugere possibilidade de seqüência, jogadores que revêem suas cartas possivelmente têm alguma daquele nível.
IV) Examinando as cartas da mesa:
* Um jogador que demonstre um súbito interesse pelo jogo (ex.: sentar-se corretamente, parar de conversar) possivelmente gostou das suas cartas ou das que foram abertas.
* O jogador vê o flop, olha para as próprias fichas e então olha para longe: provavelmente fez um jogo muito bom e está fingindo desinteresse.
* O jogador vê o flop e continua "estudando-o" como se tivesse sido bom, especialmente quando sabe que alguém está olhando para ele: o flop foi ruim para ele. Quando um jogador precisa fazer isto? Se deu um raise com AK e o flop veio JT9, por exemplo. Uma dama, no turn, seria ótima para ele, mas ela ainda não veio, e tudo o que ele tem até agora é um A de kicker, enquanto alguém pode segurar na mão AJ, TT etc. e já estar com um jogo bom.
VI) Mexendo nas fichas:
* Se um jogador olha para suas (dele) fichas ou nelas mexe sem perceber que você vê, ele deve estar pensando em apostar, por ter uma mão boa.
* Já se ele mexe (ou olha para elas) quando sabe que você está vendo (ou mexe exageradamente, exatamente para que você veja) é provável que esteja blefando. Esta é, das tells inconscientemente emitidas, a que fornece um maior retorno financeiro, pois muitas vezes você evitará um fold em um pot grande. Caro nos lembra que, de uma maneira geral, é melhor (principalmente em limit games) errar pagando e perder do que dar fold em mãos vencedoras.
III) Nervosismo:
* Geralmente fica-se mais nervoso no momento de apostar uma mão muito forte do que no momento de blefar. Inclusive pode haver um leve tremor. Após a aposta, o da mão forte fica ansioso aguardando um call, e pode tamborilar na mesa. O da mão fraca fica "congelado", evitando o seu olhar, movendo-se pouco, falando pouco (ele não quer atrair atenção).
* O sinal mais comum de blefe é olhar para o oponente rapidamente, emitir um breve sorriso (falso) e desviar o olhar. Geralmente o blefador esconde a boca com a mão. Ele evitará te provocar.
* Cartas fortes geralmente são seguradas com firmeza. Além disso, mostra-se falante, às vezes cordial (pois quer te agradar, para você dar um call) ou às vezes provocativo (quer te desagradar, também para que você "vingue" com um call).
(Fernando César)
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TELLS II - CARO
[Off topic: ranking atualizado da Liga Goianiense, após a etapa de 26/11, aqui. "Chocolate" dispara na liderança, Ricardo assume o 2o lugar.]
TELLS (II) - LIVE
Não se pode falar de tells no live game sem se falar de Mike Caro.
Caro nasceu em 1944, e adulto tornou-se um jogador profissional de pôquer - segundo alguns (Brunson, Sklansky) um dos melhores de Draw Poker que já existiu e, mais que isso, fez-se um grande teórico do jogo, abordando as vertentes matemáticas e psicológicas. A matemática está, por exemplo, em um capítulo do "Super System", livro clássico do bicampeão do WSOP Doyle Brunson. Já há muitos anos (1984) Caro desenvolveu um programa que conseguia jogar (bem) pôquer, o "Orac" (seu nome ao contrário).
O próprio Caro é autor de vários livros e artigos em revistas. Trabalhou também como consultor em cassinos e, por fim, montou uma universidade do jogo (!), a MCU, "Mike Caro University of Poker Gaming and Life Strategy", que promove cursos, lança DVDs etc.
O livro mais famoso de Caro é o "Poker tells", lançado no começo da década de 80 e que hoje também é um clássico da biblioteca do pôquer. Caro foi estudar a linguagem corporal dos jogadores de pôquer, e mais, fez isto cientificamente, calculando mesmo a porcentagem de vezes que um jogador fraco, médio ou forte emite de forma confiável tal sinal, e ainda o lucro estimado que a observação e aplicação destas tells podem dar por hora! Não é à toa que Caro é chamado de "Mad Genius of Poker"... (pela foto nota-se que ele tem mesmo cara de louco)
Ele define: "Any mannerism which helps you determine the secrets of an opponent's hand is called a tell." Seu livro é recheado de fotos ilustrativas e, no final, algumas fotos-testes.
Se há um livro que um jogador de live deva ler, acredito que seja esse. Não por causa de estratégias, porque neste ponto existem outros ótimos - mas justamente porque este trata de um assunto fundamental no live e que os outros mal tocam.
Para analisar um jogador possuímos algumas maneiras. Uma é analisar as suas jogadas, de um ponto de vista frio, objetivo. Esse dá raise de 3 x o BB com 99 na mão, aquele vê pouquíssimos flops etc. Desta maneira, você estará fazendo "ao vivo" uma parte (bem pequena, mas mais confiável) do trabalho que programas como o Poker Tracker fazem. Sim, este é o problema de se apoiar demais no programa, jogando online: não se acostuma a fazer o "trabalho duro", que é ter paciência de analisar os adversários.
Outra maneira de estudarmos um jogador, no live, é fazermos um estudo direto daquela pessoa, naquela mão. Isto é, recolher as tells. Esta ação é o que basicamente as pessoas pensam que seria a "psicologia" do jogo: saber enganar, e saber pegar as mentiras.
O livro de Caro cita algumas dezenas de "leis", tipo: "se a pessoa está fazendo isto, é provável que esteja blefando, então pague ou dê raise"; "se faz aquilo, está com um jogo monstruoso na mão, fuja" etc. Com mais de 100 páginas, o livro poderia ser bem resumido apenas nestas leis. O resto são as fotos, uma descrição mais detalhada da ação, uma explicação sobre a motivação do jogador em emitir tal tell, e porcentagens de vezes em que a tell realmente significa o que aparenta.
Se o livro pode ser resumido em algumas páginas, e as leis facilmente decoradas, isto não quer dizer que após a sua leitura você sairá um "mago da adivinhação". O próprio Caro é um exemplo disso: se procurar por seus resultados, não encontrará grandes vitórias. Dizem que Doyle Brunson afirmou que poderia vencer seus oponentes sem mesmo ver suas cartas. OK, se ele disse isso mesmo, por que é que não vence todos os torneios que participa? Primeiro, por causa da inegável influência do fator sorte. Segundo: nenhum adversário é totalmente ingênuo a ponto de sorrir com cartas boas e ficar cabisbaixo com as ruins. Qualquer iniciante de pôquer sabe que é um jogo de enganar os adversários, e irá, com maior ou menor habilidade, tentar provocar o erro do adversário. Terceiro, e talvez mais importante: mesmo sabendo todas as leis, é muito difícil, na prática, captar as tells que seu adversário emite.
Digo por experiência própria: eu, como psiquiatra, tenho uma certa prática em observar pessoas. E mesmo assim acho complicado isso de pegar as tells. Tenho uma hipótese para esta dificuldade, que acho pode ser generalizada: durante o jogo, estamos naturalmente concentrados na nossa mão, no que o flop trouxe para nós, e não no jogo dos outros. Por quê? Porque obviamente é o que mais nos interessa. Se o cara na minha frente não tem nada e eu também não, não interessa, não vou disputar quem tem um "nada melhor". Por outro lado, se meu jogo bateu, não quero saber se o dele bateu ou não, sei que eu vou entrar nesse pot!
Além disso, prestar atenção nas tells é ter que prestar atenção aos detalhes. É trabalhoso, é cansativo. E a mente sempre prefere o que é mais simples. São vários jogadores na mesa, e teria que observar vários, catalogar mentalmente seus atos e fazer uma correlação com as cartas que mostram etc. Fatigante!
Mas o pensamento não deveria parar aí, no trabalho, e sim nas conquistas que viriam disto: segundo Caro, é possível ganhar até 3 vezes mais dinheiro se souber captar as tells e agir conforme elas indicam.
Por outro lado, acredito que esta dificuldade seja apenas no começo do processo. A habituação pode tornar as coisas mais simples. E, quando menos se espera, consegue-se ler os adversários. Se não em todos os seus movimentos, pelo menos em alguns, o que já seria uma grande coisa.
No próximo artigo farei então um resumo do livro, com alguns comentários meus. Até lá!
(Fernando César)
(E-mail) (Orkut) MSN: fernandopsiquiatria@bol.com.br
TELLS I - ONLINE
O Blogger está meio louco, às vezes diz que o site não existe... Se acontecer isto alguma vez, tente novamente um pouco depois.
[Off topic: ranking atualizado da Liga Goianiense aqui (gráfico). Parabéns ao "Chocolate", que me tomou a liderança do ranking e, de quebra, ainda venceu de forma sensacional o 1o Torneio da FGP - Federação Goiana de Palitinho]
O artigo abaixo é o primeiro de uma série de 3 ou 4 sobre tells. Os outros são sobre tells no live estão quase prontos.
TELLS (I) - ONLINE
Existem várias diferenças entre o jogo online e o live (ou "in person"), sendo a mais notável a velocidade. Entretanto, a mais importante é que no live você pode "ler" os seus adversários, assim como eles podem fazer o mesmo com você.
As "dicas" que, sem querer, o seu adversário dá sobre o jogo dele, são as chamadas "tells". Acredito que se um jogador pretende se destacar em torneios live, um dos campos em que ele deve investir muito tempo é no aperfeiçoamento na sua capacidade de ler os adversários.
Como disse na introdução do primeiro texto deste blog, a idéia inicial que fazemos sobre "psicologia" do jogo é justamente esta: o poder de "olhar no fundo-dos-olhos" do oponentes e pegar ali um blefe. Mas a psicologia no jogo vai muito além disto. Na verdade, talvez o mais importante não seja isso, mas sim o controle da sua própria psicologia: saber suportar as derrotas, ter coragem na hora de arriscar, desenvolver o auto-controle, acreditar no seu potencial etc. De qualquer forma, não deixa de ser importante isso de ler o adversário.
Existem duas maneiras principais de desnudar seu oponente. Uma é analisar as suas jogadas; a outra é observar o seu comportamento. A primeira serve para o live assim como para online; a segunda só para o live.
Analisar as jogadas, no online, pode ser feito "manualmente" ou automaticamente. Um programa como o Poker Tracker faz este tipo de análise. Por exemplo: se o programa constata que tal jogador vê o flop cerca de 40% das vezes, você já pode supor que ele talvez jogue com uma gama bem flexível de mãos.
Mas acho que o uso de um programa assim tem algumas desvantagens. A principal é que quando o programa está funcionando, há uma tendência de relaxarmos as nossas análises "manuais". Então você já leu em algum lugar que entrar em 35% das vezes no flop é "coisa de fish" e resolve "pescar" esse peixinho. E acaba se dando mal. Por que? Porque não observou que ele entra em muitos flops, mas sabe dar fold logo em seguida, se o flop não lhe ajuda. O programa oferece uma infinidade de dados, mas primeiramente é preciso interpretá-los.
E outra coisa: o programa te oferecerá uma leitura de como aquele jogador jogou até aquele momento, mas ele não te diz as cartas que seu oponente possui agora. Os dados do cara levam a crer que ele é um blefador, que é um perdedor etc. Mas nada impede que nesta mão ele tenha mesmo cartas melhores que as suas! Ou nada impede que ele aquele loose de agora mesmo esteja tight agora - até mesmo porque um bom jogador mixa estilos justamente para confundir seus adversários.
Por fim, uma opinião questionável (porque é bem pessoal) sobre o uso destes programas: se a sua meta no pôquer é apenas ganhar dinheiro, tudo bem. Mas eu encaro o jogo também como um desafio intelectual, e para mim a graça não é só ganhar dinheiro, mas ganhar um jogo. Se eu usar um programa desses e ganhar, sentirei que estou, de certa forma, "roubando", como se estivesse vendo as cartas de meu adversário, ou se escondesse uma carta na manga, no live. Não vejo graça nenhuma nisso, e é por isso que dei apenas uma olhada no programa e preferi não comprar. Mas essa é uma questão bem particular minha.
Está certo que na maioria das vezes o programa te oferecerá informações úteis. Mas você pode enriquecer muito mais estas análises fazendo você mesmo a sua, com base em algumas poucas mãos importantes que aquele jogador entre. Em todo site que se preze você tem como ver a história da mão que acabou de acontecer, e mais: ver as cartas que ele tinha, se perdeu no showdown. Eu, quando estou jogando sério, em todo pote grande que é disputado, abro a caixa de "notes" daquele jogador e faço breve anotações sobre o que ele fez naquela mão. E quanto mais detalhada for essa "note", melhor. Mas, para ser mais rápido, abuse de abreviaturas. Exemplo: "$.5 utg ch-rer6/3bb c/AQo" significa que na mesa NL $0.25/0.50 o cara na posição "under the gun" deu check, alguém deu raise de 3 BB e ele deu re-raise de 6 BB com AQ off-suited na mão. Parece complicado, trabalhoso, mas não é, desde que se inicie o hábito. E é muito valioso. Eu anoto tudo o que parece importante. Por exemplo: "entrou com $15" em uma mesa cujo máximo permitido é $50 te dá uma idéia sobre o tipo de jogador que ele é: não quer arriscar-se muito, talvez seja daqueles que ganhe um pouco e saia da mesa com o lucro... Ou: "com $125 qdo entrei": significa que, naquela mesa, ele ganhou pelo menos $75 e deve ser bom. Outros exemplo: "apela qdo perde", "blefadorzinho", "não larga A" etc etc etc. Tudo é útil. Especialmente porque na internet muitas vezes não há mesmo uma foto do seu oponente, só um bonequinho, o que dificulta sobremaneira você decorar os dados sobre um jogador que tem o mesmo bonequinho daquele que acabou de sair daquela cadeira - além disso, são dezenas de oponentes, dia após dia, e mesmo se visse os rostos deles já seria difícil memorizar tudo sobre todos. Se você joga quase sempre no mesmo tipo de mesa, no mesmo horário, você acabará reencontrando adversários de outrora, e só pelo nome você não saberá identifica-los, até mesmo porque muitos nomes são parecidos.
Estas são, portanto, as duas principais maneiras de avaliar o desempenho de um jogador no modo online: a feita pela estatística e a feita por você. Qual a melhor? Acho que nenhuma das duas, pois são complementares, servem a propósitos diferentes. A estatística te dá uma visão global daquele oponente. A sua, feita mão-a-mão, te dá os detalhes do quadro.
Mas no online também é possível tentar analisar o comportamento do jogador, naquela mão específica que vocês estão disputando. O principal recurso utilizado é o tempo de resposta. Call ou raise instantâneos geralmente significam força. Uma demora geralmente significa hesitação. Há erros nisso? Claro! Ele pode demorar porque está jogando quatro mesas ao mesmo tempo (mas isso tem como ser descoberto). Ou pode estar demorando propositalmente, justamente para simular fraqueza - ou seja, está "atuando". Como saber? Só pagando, e depois anotando: "fingiu hesitar com trinca de K flopada"...
Enfim, online não é muito fácil analisar o comportamento do adversário, mas também não é impossível. Algum dado você sempre consegue, e qualquer informação é melhor que nada. Quando você não tem informação nenhuma sobre aquele jogador, você está jogando com suas cartas e as cartas abertas, jogando apenas contra probabilidades dele ter um jogo melhor ou não. Ou seja, está enfrentando a Matemática, e não oponentes.
Daí a importância de ter uma certa paciência antes de começar a jogar "pra valer": sentar e ficar observando atentamente os oponentes. Fazendo isso, alguns minutos depois você entrará no jogo contra pessoas reais, apesar daqueles bonequinhos...
(Fernando César)
(E-mail) (Orkut) MSN: fernandopsiquiatria@bol.com.br
